sábado, 28 de maio de 2016

Por que nem todos os derivados de petróleo são proibidos para No e Low Poo?

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Sapinha na banheira com as patinhas levantadas.

Quando alguém nos pergunta o que é Low Poo ou No Poo, às vezes fica difícil explicar todos os detalhezinhos, não é verdade?

É dessa forma que acabamos generalizando algumas coisas para facilitar que os outros entendam no que consistem as técnicas.

Nessas generalizações podemos cometer alguns enganos e perpetuar alguns mitos.

Algumas destas afirmações são: Não usamos shampoo com sulfatos, no No Poo não se usa silicones e em ambas as técnicas é proibido o uso de derivados de petróleo.

Na verdade não usamos shampoo com sulfatos fortes, no No Poo não se usam silicones insolúveis em água, e há uma lista específica (que vai sendo atualizada) de derivados de petróleo que não usamos.

Porque alguns derivados de petróleo são proibidos?


Visão de Massey


No livro da Lorraine Massey ¹, onde foram inspiradas as técnicas de No e Low Poo, uma de suas colaboradoras afirma que os derivados de petróleo (e outras substâncias oclusivas) criam um filme sobre o fio de cabelo.

A função desse "filme" seria "aprisionar" a hidratação dos cabelos "dentro" dos fios.

Entretanto, a posição defendida no livro é de que por se tratarem de estruturas hidrofóbicas (que afastam a água) estes compostos podem acabar impedindo a hidratação dos fios, fazendo o contrário do que seria sua função.

Estas substância atrairiam também, partículas de sujeira, piorando ainda mais o aspecto dos fios.

Outra crítica feita pela Vida (cacheada autora deste texto no Manual da Garota Cacheada) é de que os cabelos estão cobertos por esse filme que repele água.

Ao lavarmos o cabelo (com shampoo forte) dissolvemos esse microfilme, que se vai ralo abaixo.

O que fazemos depois de nos livrarmos do filme que repele água?

Condicionamos o cabelo repondo essa barreira hidrofóbica.

Cria-se assim um círculo vicioso onde o shampoo danifica e o condicionador repara momentaneamente para depois de algum tempo passar a afastar a hidratação.

Já falamos dessas autoras na Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Portal Cosmética em foco

Visão de Davis-Sivasothy


Outra autora, Audrey Davis-Sivasothy², soma outras informações àquelas do livro de Massey.

Ela afirma que o filme criado pelo Petrolatum (um dos principais derivados de petróleo usados em cosméticos) bloqueia 98% da entrada de hidratação nos cabelos.

É, provavelmente, por causa dos estudos desta autora, que os agentes oclusivos derivados de petróleo foram declarados proibidos das rotinas No e Low Poo.

Ela afirma que as características não-polares do Petrolatum tornam ele muito difícil de ser desligado dos fios.

É necessário usar, nestes casos, surfactantes fortes como o Sodium Laureth Sulfate.

É no livro da Audrey que surge a ideia de que os cabelos são "maquiados" por substâncias como o Petrolatum.

A expressão "maquiagem" é usada para evidenciar que o Petrolatum não traz nenhum ganho além de boa aparência aos fios, escondendo - muitas vezes - um fio danificado.

Não terminou ainda, mas você pode nos seguir aqui para não perder nadinha do nosso conteúdo:

São todos proibidos?


Não.

Partindo das colocações das autoras, são proibidos os derivados de petróleo que se acumulam nos fios e não são retirados com surfactantes leves (pertinentes a cada técnica).

Existem muitos derivados de petróleo liberados para as técnicas pois são solúveis em água, evaporam à temperatura ambiente ou não se ligam aos fios por particularidades nas suas estruturas químicas.

Quais derivados de petróleo são liberados?


Complicado responder porque muitos petroquímicos são envolvidos na fabricação de cosméticos, Citaremos alguns mais comuns.

PEGs


A maior parte (senão todos) os ingredientes que começam com "PEG" contém Polyethylene glycol, que é um derivado de petróleo.

Exemplos são o PEG-8 Dimethicone liberado para ambas as técnicas

But...


Butyl glycol, Butyl alcohol, Butane, ...

..Propyl...


Aparecem por todos os cantos: isopropyl alcohol, propylene glycol...

Inclusive nossa amada Cocamidopropil Betaína depende do petróleo para se estruturar.³

Muitos outros


Dodecanol, diethanolamine, ethanolamine, ethyl alcohol, ethylene dichloride, ethylene oxide, EDTA, ethylene glycol, benzene, tuolene...

E a lista não para de crescer.

Para encerrar: Fique ligado nos proibidos para No Poo e Low Poo


Mais fácil do que controlar os derivados de petróleo liberados é conferir nas formulações aqueles dos quais você precisa passar longe.

Em ambas as técnicas são "proibidos":

Alkane

C13-14 Isoparaffin

C12 - 20 Isoparaffin

Decane
Decano

Decene
Deceno

Dodecane
Dodecano

Dodecene
Dodeceno

Hydrogenated Polyisobutene

Isododecane
Isododecano

Isodedecene
Isododeceno

Isoparaffin
Isoparafina

Mineral Oil
Óleo mineral

Ozokerite Wax

Paraffin
Parafina

Parafinum Liquidum
Parafina Líquida

Petrolatum
Petrolato

Petroleum Jelly

Polyisobutane
Vaselin

Vaselina


Lembrando que até o plástico das garrafas costuma ter origem petroquímica.

__________
¹ Bender, M. ; Massey, L. & Chiel, D. (2011). Curly Girl: The Handbook. Workman Publishing Company
² Audrey Davis-Sivasothy. (2011). The Science of Black Hair: A Comprehensive Guide to Textured Hair. SAJA Publishing Company.
³ Mellowship, D. (2009). Toxic beauty. Hachette UK.
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