sábado, 17 de julho de 2021

A verdade que nunca te contaram sobre limpeza do cabelo

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Limpeza 100% - A verdade que nunca te contaram sobre limpeza do cabelo no Low Poo

Você está preocupada em limpar 100% dos silicones e outros agentes condicionantes entre uma lavagem de cabelo e outra? Por quê?




Para que você usa shampoo?

Usamos essa pergunta, recentemente, na Mentoria 360, porque percebemos uma "falha" na lógica que muitas pessoas usam ao fazer Low Poo e No Poo.

Nossa mentoranda cuidava dos cabelos fazendo a técnica do Low Poo, mas com uma lógica inadequada.

Hoje, vamos falar justamente desse erro comum em muitas lowpoozeiras (e algumas pessoas que fazem No Poo, também).

Estamos falando da ideia (equivocada), de que toda a lavagem deve livrar o cabelo de 100% do que foi depositado anteriormente nos fios.

Na verdade, o shampoo não precisa limpar tudo, e para explicar diretinho porque a lógica da limpeza 100% está incorreta (ou melhor, desalinhada com o propósito das técnicas Low Poo e No Poo e incompatível com as tecnologias mais recentes), vamos abordar os seguintes temas:

  1. Por que Low Poo e No Poo "salvam" cabelos, mesmo bastante danificados
  2. No que deveria consistir a higienização dos cabelos
  3. Tecnologias de tratamento resistentes à lavagem
  4. Excesso de Limpeza: pode dar ruim?
  5. Quanto de limpeza meu cabelo precisa? 100% é muito?

Vem com a gente conferir todos os pontos dessa discussão para entender por que a sua rotina capilar não precisa ser baseada em uma ideia de limpeza 100%



Por que as técnicas Low Poo e No Poo salvam muitos cabelos?


O pulo-do-gato que levou Lorraine Massey a escrever o Manual da Garota Cacheada,¹ foi a percepção de que os próprios cabelos ficavam ressecados e sem forma após a lavagem com shampoos tradicionais.

A partir de experiências, ela encontra outras formas de manter o couro cabeludo limpo, sem a necessidade de uso constante de shampoo, mantendo um pouco da oleosidade natural dos fios por considerá-la benéfica para os cabelos.

O Curly Girl Method (CGM) de Lorraine não sobreviveu à tropicália, e o Brasil criou duas novas técnicas de cuidados: o Low Poo e o No Poo.

No centro destas formas de cuidado, reside uma lógica norteadora: o shampoo tradicional (aquele com sulfatos) pode danificar o cabelo e o segredo do cabelo bonito está em fugir dessa limpeza extrema.

O dito popular já nos aconselha: prevenir é melhor que remediar.

No Limpoo, nosso curso sobre Low Poo e No Poo com a Liga das Crespas e Cacheadas, costumamos dar uma torção nesse ditado afirmando: "não danificar também é tratar".

Agora que já entendemos a lógica por trás do Low Poo e No Poo, podemos pensar no quanto a ideia de limpeza 100% é incompatível com estas técnicas.

Você sabia que Lorraine Massey não inventou o Low Poo? Entenda.

Higienizando a sujeira, limpando o excesso


Lembra da mentoranda lá da Mentoria 360 que a gente citou lá no início do texto? O erro que ela estava cometendo cabe exatamente aqui, nessa seção da nossa discussão.

Como muitas pessoas que fazem Low Poo, ela também achava que o ciclo de cuidados se desenvolvia da seguinte forma:

  • Lavar 100%: sem deixar nenhum resquício de nada nos fios;
  • Tratar: condicionando e hidratando, nutrindo ou reconstruindo;
  • Finalizar: desembaraçando e modelando;
  • Lavar 100%: sem deixar nenhum resquício de nada nos fios;
  • Tratar: condicionando e hidratando, nutrindo ou reconstruindo;
  • Finalizar: desembaraçando e modelando;
  • (e assim sucessivamente)

Desde muito cedo, o Low Poo e No Poo se apoiaram em técnicas suaves de limpeza. Este tipo de higienização não pode ser compatível com uma limpeza 100%.

A ideia é que os fios sejam suficientemente higienizados. Que a sujeira seja removida e o excesso de ingredientes de tratamento e finalização seja retirado.

A sujeira a ser removida é composta do excesso de sebo produzido pelo nosso couro cabeludo, poeira e outras partículas do ambiente.

O excesso de substâncias têm a ver com ingredientes que não foram nem absorvidos e nem adsorvidos pelo cabelo e estão precisando só de um "incentivo" para serem retirados do fio.



Novas tecnologias: tratamentos resistentes à lavagem


Sabemos que as hastes dos cabelos são compostas material morto, incapaz de se regenerar.

Os tratamentos capilares ajudam a suprir, temporariamente, as necessidades que os cabelos enfrentam por conta dos danos que já acumularam. Mas, a palavra chave dessa frase, veja bem, é "temporariamente".

Com a modernização dos tratamentos capilares, a indústria cosmética busca oferecer soluções cada vez mais duráveis.

Isso implica no aprimoramento de duas tecnologias em especial.

A primeira é em relação à resistência à lavagem. A adsorção de ingredientes é tema importante nos materiais de divulgação de insumos cosméticos, e cada vez mais, vemos esses claims de resistência a diversas lavagens em agentes condicionantes e silicones.²

A segunda tem a ver com tecnologias que diminuem o acúmulo de resíduos no cabelo, como a presença de grupos amina que impedem a deposição de agentes condicionantes e silicones sobre si mesmos.

Isso garante condicionamento e proteção extra contra danos cotidianos de forma mais duradoura e eficiente.

Os tratamentos, entretanto, nunca são definitivos e, a medida em que se vai lavando os cabelos, eles vão se perdendo.

O shampoo não precisa limpar tudo (100%) e, cada vez mais, espera-se que as tecnologias de condicionamento e tratamento resistam a consecutivas lavagens.


Excessos: Antirresíduos antes das etapas do Cronograma Capilar


O problema da mentalidade da limpeza 100% é que se desenvolve uma tendência de que ela se torne cada vez mais obsessiva.

Sabemos que existem grupos e pessoas que sugerem o uso de shampoos antirresíduos antes de cada etapa do cronograma capilar. Para quem faz 3 tratamentos na semana, são aproximadamente 12 aplicações de antirresíduos em um mês.

Isso é muito, é demais... mesmo!

Os ingredientes com capacidade de absorção pelos fios (como óleos vegetais saturados, umectantes e proteínas suficientemente pequenas) não precisam de cabelos cantando de limpos para agirem nos fios.

Já os agentes condicionantes mais modernos se ligam apenas às partes "expostas" do cabelo e, em especial, às porções mais danificadas dos fios.

Você não precisa "arrancar" o agente condicionante (ou silicone) que já está no fio para colocar outro igualzinho no lugar, manter o primeiro é tão eficaz quanto substituí-lo por outro, sem risco de agressão extra.



Se 100% é muito, quanto de limpeza meu cabelo precisa?


Falamos, até agora, de diversos motivos pelos quais o cabelo não precisa de uma limpeza 100%: suavidade, limpeza de sujeira e excessos, tecnologia benéficas resistentes à lavagem e, especialmente, a prevenção de danos.

Lembra do lema do Limpoo? Não danificar também é tratar!

Mas outro ponto especial do Limpoo, e de todos os cursos da Liga das Crespas e Cacheadas, consiste na ideia de que não existe receita idêntica para todo mundo.

Da mesma forma, a quantidade de limpeza será super-individualizada e você descobrirá testando frequência e intensidade de lavagens.

Link Afiliado LCCLP3:


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Referências


¹ Bender, M. ; Massey, L. & Chiel, D. (2011). Curly Girl: The Handbook. Workman Publishing Company.
² Momentive. (2017). Agente condicionante Silsoft* CLX-E. https://www.momentive.com/pt-BR/categories/emulsions/silsoft-clx-e/#