quinta-feira, 5 de maio de 2016

Derivados de Petróleo Fazem Mal aos Cabelos? - Resposta a um Artigo - Parte 2

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Mulher oriental com pele muito bonita passa creme no rosto


Continuaremos nesta postagem a discutir os principais pontos do artigo O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos do farmacêutico Ivan Souza.

Leia a primeira parte da Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

Seguiremos destacando em caixas de cor acinzentada os trechos do autor, seguidos pelas considerações do Cabeleira em Pé. Seguiremos abaixo de onde paramos na primeira parte.

...nenhum produto cosmético é capaz de nutrir os cabelos. O cabelo é composto por fibras provenientes de células mortas e o que está morto não precisa de ‘nutrição’...

Esse é um mito propagado pela indústria cosmética (que adora a palavra "nutrição") e fãs do cronograma capilar.

Nada contra esse último, só achamos realmente infeliz a escolha do termo "nutrição". Se bem que entre "nutrição" e "lubrificação" tendemos a usar a primeira.

Você já leu a Resenha do Creme Umectante Bang! Óleo de Coco da Tutanat? Confira neste link.

Os óleos usados na etapa de "Nutrição" do cronograma capilar não "nutrem" os fios.

Eles auxiliam a reposição de gorduras presentes no cimento intercelular (conhecido também como Complexo de Membrana Celular), composto de diversos lipídios (como o esqualeno, triglicerídeos, ácidos graxos, colesterol, ceramidas...)¹.


Confira na série de textos linkados abaixo como fazer escolhas inteligentes ao escolher óleos vegetais para o seu cabelo:


O termo nutrição remete à alimentar. Como o Ivan diz adiante no texto a nutrição (alimentação) dos fios é mais efetiva quando vem de dentro: Alimente-se bem! Isso certamente trará benefícios para suas madeixas. 

Mas não deixe de usar óleos, eles tem uma série de benefícios para os seus cabelos. A implicância do Cabeleira em Pé com a "nutrição" é meramente semântica. 

Nas minhas pesquisas, eu não encontrei qualquer trabalho que mencione que os óleos vegetais são mais eficientes que os derivados do petróleo em termos de lubrificação e hidratação.

Nós podemos dizer também que: Em nossas pesquisas, não encontramos qualquer trabalho que mencione que o petrolatum é mais eficiente do que os óleos vegetais em termos de lubrificação e hidratação dos cabelos.

O autor cita no início do texto que "Estudos in vivo disponíveis na literatura mostram que o Petrolatum tem maior potencial hidratante para a pele seca que outros ingredientes naturais".

O estudo in vivo comparando óleos vegetais e petrolatum que encontramos² que falava de pele realmente não demonstra maior hidratação dos óleos vegetais quando usados na pele.  Este estudo indica que o petrolatum é mais oclusivo que os demais na pele.

A Oclusão da pele é uma ótima forma de hidratá-la pois a verdadeira hidratação da pele vem "de dentro" por se tratar de um tecido vivo. Então agentes oclusivos são ótimos se usados no tecido cutâneo. Não podemos afirmar o mesmo a respeito do tecido "morto" dos fios de cabelo.

Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:

É nítido que existe uma grande confusão dentro da comunidade Low Poo e No Poo no Brasil. 

Propagou-se a concepção errônea de que os "vilões" da técnica são os derivados de petróleo.

Não são. Aderir a estas técnicas significa abrir mão de surfactantes fortes como o Sodium Lauryl Sulfate. 

Deixamos de usar alguns derivados de petróleo pois nota-se na prática a ineficiência de surfactantes leves na limpeza destes petroderivados.


Nem todos os derivados de petróleo são proibidos para as técnicas. Entenda mais sobre o assunto e descubra uma Lista de derivados de petróleo Proibidos para Shampoo Leve (Low Poo) e Sem Shampoo (No Poo).

O que nos leva ao próximo ponto:

Ainda que os petrolatos não sejam solúveis em água, a presença desses tensoativos nos xampus e na própria emulsão que veiculou os petrolatos até o cabelo permite que essas substâncias sejam carregadas pela água da lavagem.

Nós sinceramente gostaríamos de ter acesso a estes estudos. Sempre ouvimos a colocação de que os shampoos com surfactantes leves, ou os surfactantes/tensoativos dos condicionadores usados no cowash não são suficientes para retirar os resíduos de "petrolatos" dos fios.

O Cabeleira em Pé desaconselha o uso de produtos com "petrolatos" se você não usa shampoo ou quando seu shampoo é do tipo sem sulfato.

Quando eventualmente usamos por engano algum produto com petroderivados "proibidos" notamos o cabelo pesado e com aparência sebosa, sensação que é dissolvida com o uso de um shampoo com detergentes fortes seguida da interrupção de uso do produto "proibido".

Esta sensação de emplastramento dos cabelos decorrente do uso de 'petrolatos' foi trazida à tona no programa Bem Estar na Globo.


A única fonte que encontramos falando a respeito disso é o já citado livro da Audrey³. Adoraríamos ter acesso aos seus materiais que falam a respeito da eficiência dos shampoos leves na limpeza de petroderivados.

Leia a terceira e última parte da Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

Acompanhe nosso material na sua rede social favorita: 

__________
¹ Masukawa, Y. ; Narita, H. & Imokawa, G. (2005). Characterization of the lipid composition at the proximal root regions of human hair. Journal of Cosmetic Science ed. 56 v. 1. pp. 1-16
² Patzelt, A. & Cols. (2012). In vivo investigations on the penetration of various oils and their influence on the skin barrier. Skin Research and Technology v.18 n.3.
³ Audrey Davis-Sivasothy. (2011). The Science of Black Hair: A Comprehensive Guide to Textured Hair. SAJA Publishing Company.


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