terça-feira, 3 de maio de 2016

Derivados de Petróleo Fazem Mal aos Cabelos? - Resposta a um Artigo - Parte 1

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Creme cosmético branco com textura de petrolato


Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:

Talvez uma ou duas semanas atrás nos deparamos com mais um artigo questionando algumas posições que os adeptos de No Poo e Low Poo defendem com unhas e dentes. Trata-se de um texto  divulgado no site Cosmética em Foco com o título O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos.

Achamos que a agitação duraria um dia ou dois, como normalmente acontece com esse tipo de artigo nas comunidades que discutem as técnicas SLS-free, mas a dúvida se instalou por mais tempo que o normal, o que nos motivou a discutir o referido material.


O Site da Caras afirmou recentemente que Shampoo sem parabenos e sulfato fazem mal aos cabelos. Clique e descubra se isso é verdade.

Antes de mais nada, o que decidimos fazer é discutir, dentro das nossas possibilidades, os principais pontos apresentados ao longo do discurso do Ivan Souza construindo nosso argumento baseado nas principais afirmações feitas pelo autor. 

Nossa postura é sempre de somar ou discordar apresentando nosso embasamento, numa tentativa mais direcionada ao "desacomodar" do que ao "impor" nossos pontos de vista.

Já avisamos de antemão que há pontos em que concordamos com o autor, então se você discordou de tudo que ele escreveu, talvez não goste do que vai ler aqui.

Vamos começar então com a primeira parte dos principais argumentos do autor em uma caixinha de cor cinza para diferenciar o texto do autor de nossas considerações.


Estudos in vivo disponíveis na literatura mostram que o Petrolatum tem maior potencial hidratante para a pele seca que outros ingredientes naturais como a lanolina (Lanolin), o óleo mineral (Mineral Oil) e o óleo de oliva (Olive Oil)

O que precisa ser dito é que não existem tantas fontes que falem a respeito de benefícios (e malefícios) do Petrolatum para os cabelos. Temos muitos artigos a respeito da eficiência como agente oclusivo quando usado na pele, e talvez por isso estendemos (por analogia) aos cabelos. 

Mas, como o Ivan dirá adiante, cabelo é material "morto" e a pele é composta de células vivas que se renovam constantemente. Portanto é complicado fazer estas analogias entre os efeitos na pele e nos cabelos.

Confira na série de textos linkados abaixo como fazer escolhas inteligentes ao escolher óleos vegetais para o seu cabelo:


A respeito desta carência de artigos sobre o assunto: a Ciência tem uma relação bastante promíscua com o dinheiro. E o poder aquisitivo na relação cliente e grandes corporações está normalmente mais do lado de lá (empresas cosméticas) do que do lado de cá (consumidores), portanto é possível desconfiar de quais interesses serão privilegiados na maior parte das pesquisas científicas.

Nunca se sabe quem financiou a pesquisa que você está lendo. Questione o que você lê!

Quando o Cosmética em Foco me pediu para escrever sobre o Petrolatum eu fiquei aterrorizado, pasmo mesmo, com a quantidade de absurdos e bobagens que se propagam na internet em blogs e vlogs de pessoas que claramente não sabem do que estão falando. E pior, algumas dessas pessoas começaram a clamar “estudos científicos” para que seus argumentos soassem mais verdadeiros!

Concordamos em gênero número e grau. O Cabeleira em Pé nasceu justamente por acreditar poder fazer a diferença no rompimento de propagação de mitos dentro da comunidade No e Low Poo. O Ivan levanta uma questão essencial a qualquer consumidor consciente: o uso da expressão "estudos científicos" não significa absolutamente nada. 

Se um autor realmente recorreu a estudos científicos para embasar sua argumentação e não cita quais os artigos usados, além de impedir o crescimento intelectual dos seus leitores está plagiando o material de outra pessoa, o que além de imoral é crime muito feio. 

Temos vários textos sobre cosméticos com embasamento científico.

Não aceite tudo como verdade absoluta, duvide sempre um pouquinho, isso impede que você seja posto no cabresto.


O primeiro erro encontrado na mídias virtuais foi o uso do termo “petrolato” pra se referir a todos os derivados de petróleo. Tecnicamente, Petrolatum é diferente de óleo mineral e de parafina, entre outros, mas até aí tudo bem! Vamos aceitar este neologismo que é até conveniente!

É super conveniente. 

Se toda a vez que eu tiver que falar dos "petrolatos" eu usar o termo "derivados de petróleo proibidos para No e Low Poo", o discurso fica beeem arrastado. 

Consideramos "petrolato" um apelido fofo para "derivados de petróleo proibidos para No e Low Poo". 

Spoiler: às vezes usamos o termo "petroderivados" (que também é um neologismo). 

O autor apresenta os seguintes argumentos usados (de forma equivocada) entre os praticantes de No e Low Poo: 

“Estudos científicos comprovam que os óleos vegetais são melhores que os petrolatos porque conseguem chegar até o córtex do cabelo e nutri-lo. Já os petrolatos ficam apenas na superfície do fio formando uma barreira"

A maldição do "estudos científicos". Na verdade, existem estudos sim¹,² que demonstram a capacidade de "penetração" na fibra capilar de determinados óleos vegetais.

Os mesmos estudos costumam demonstrar também a inabilidade de certos "derivados de petróleo proibidos para No e Low Poo" (só para descontrair!) de fazerem o mesmo.

Qual a relação entre o uso de 'Petrolatos' e o Crescimento Capilar? Descubra aqui porque o No Poo e Low Poo podem ajudar o seu Projeto Rapunzel.

“Os petrolatos formam um filme ao redor dos fios que se acumula com as aplicações e não dá pra remover nem com xampu antirresíduos”

Que mentira mais cabeluda! E sabemos que isso é dito por aí mesmo. 

Esse é o tipo de falácia que nos deixa furiosos e é por isso que entendemos porque algumas pessoas não nos respeitam. Praticantes de No Poo e Low Poo:

Qual foi o primeiro passo antes de começarem as rotinas da técnica escolhida?

a) Lavei o cabelo com shampoo normal (com SLS) para retirar qualquer vestígio de petroderivados
b) Raspei o cabelo pois estava cheio de "petrolatos" e eles não saem nem com shampoo antirresíduos

Se sua resposta é A, parabéns! 

Se sua resposta foi B, você deve ter escrito em seu blog que os petrolatos não saem nem com shampoo antirresíduos (vergonha alheia).

Veja aqui O que é e como descobrir se você sofre de ARC - Acúmulo de resíduos nos cabelos (Build up).

“Os petrolatos se acumulam nos fios de cabelo impedindo que outros ingredientes nutritivos possam chegar até o córtex do fio e, apesar de seu excelente efeito imediato, na verdade, apenas enganam o consumidor com uma aparência de cabelo saudável!”

O argumento usado pela Vida, colaboradora do livro da Lorraine Massey³ é de que os derivados de petróleo, silicones, ceras e óleos secos (?) - que são agentes oclusivos - criam um filme sobre o fio de cabelo. Esse "filme" deveria "prender" a hidratação dos cabelos "dentro" dos fios. 

A posição da autora é de que por se tratarem de estruturas hidrofóbicas estes compostos podem impedir a hidratação dos fios e atraindo partículas de sujeira.  

Acreditamos (e essa é uma suposição) que isso se dê principalmente quando o cabelo é lavado com vários dias de espaçamento, expondo o fio constantemente às propriedades hidrofóbicas destas substâncias. 

Outra crítica feita pela cacheada é de que depois de lavados, os cabelos são rapidamente condicionados e "presos" novamente nessa mistura cheia de substâncias hidrofóbicas. Isso se repetiria em um ciclo constante, prejudicando os fios.

Temos um post focado em formas de hidrtação entre elas  
os Agentes Oclusivos

Bastante similar a esse discurso é o da autora Audrey Davis-Sivasothy 4. Ela afirma que o Petrolatum bloqueia 98% da entrada de hidratação nos cabelos. 

É da mesma autora a informação de que este derivado de petróleo - por ser um óleo não-polar - é dificílimo de ser tirado dos fios sem um shampoo a base de sulfatos fortes. 

Também surge nesta obra a premissa de que os cabelos são "maquiados" por substâncias como o Petrolatum. Esta analogia se dá em função da substância apenas cobrir os fios com uma camada brilhante, sem trazer benefícios secundários, ocultando um cabelo, muitas vezes, seco e quebradiço. 

Leia neste link a segunda parte da Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

Redes Sociais
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__________
¹ Rele, A.S. & Mohile, R.B. (2003). Effect of mineral oil, sunflower oil, and coconut oil on prevention of hair damage. Journal of Cosmetic Science v.
S. B. Ruetsch & cols. (2001). Secondary ion mass spectrometric investigation of penetration of coconut  and   mineral oils into human hair fibers: Relevance to hair damag. Journal of Cosmetic Science v.
Bender, M. ; Massey, L. & Chiel, D. (2011). Curly Girl: The Handbook. Workman Publishing Company.
4 Audrey Davis-Sivasothy. (2011). The Science of Black Hair: A Comprehensive Guide to Textured Hair. SAJA Publishing Company.



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