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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Adele não lava o Cabelo? - Resposta à matéria do R7

Adele não lava o Cabelo? R7 No Poo e Low Poo


Mitos sobre No Poo - A cantora Adele  não lava o cabelo?


Bem, não poderíamos começar 2017 sem uma daquelas matérias super-informativas, embasadas e super-confiáveis. Liguem o filtro "ironia" para essa frase, pode ser?

Dessa vez o R7 fez uma lista de celebridades que - segundo eles - não lavam os cabelos.

A matéria é curtinha, mas como sempre, vamos fazer um breve comentário colocando o texto deles naquela "caixinhas" cinza para não misturar com as nossas considerações.

De Adele a Robert Pattinson: celebridades recusam xampu e já estão há mais de dez anos sem lavar o cabelo

Já começa com um título bastante chocante, não é mesmo?

O título já mostra o que vem pela frente: para o R7 se você não usa shampoo, você não lava o cabelo.

Método No Poo virou tendência e abole produtos industrializados na cabeça.

Mais de um ano depois do boom do No Poo no Brasil, ainda não somos considerados um movimento firme.

Mesmo depois de grandes marcas continuarem apostando em produtos direcionados para as rotinas No Poo e Low Poo, continuamos sendo um grupo "excêntrico" para alguns jornalistas.

As técnicas No Poo e Low Poo são sempre "tendência", "moda", "novidade"... Vamos repetir o que falamos em outro post do mesmo tipo "se você nunca ouviu falar de alguma coisa, talvez ela não seja 'novidade', talvez só seja você o mal-informado".

Já imaginou parar de uma vez por todas de lavar o cabelo com xampu? Esse hábito que faz parte da nossa vida desde a infância tem sido abolido por algumas pessoas, inclusive famosos.

Que argumento fraco esse de que é estranho deixar de fazer coisas que fazemos desde a infância. Seguindo esse raciocínio, não deveríamos parar de usar fraldas, por exemplo.

Esse hábito também faz parte da nossa vida desde a infância e (felizmente) este método é substituído por outro, menos poluente e menos agressivo para a pele que as fraldas descartáveis.

Segundo Barlow, usar xampu pela primeira vez depois de tanto tempo sem o produto foi só uma forma de mostrar que não fazia a menor diferença. Ele conta que quando tomou a decisão, só teve problema nos dez primeiros dias, quando os fios ficaram oleosos. Depois, o cabelo acostumou com o hábito.

Cabelos oleosos? Que tal contornar o efeito rebote com estes tônicos antioleosidade liberados para No Poo e Low Poo?

Barlow tem cabelos curtos e decidiu testar uma técnica chamada water only (W.O.) que propõe que o couro cabeludo é capaz de entrar em equilíbrio quando retiram-se todos os produtos usados higienização diária (shampoo, condicionador, etc).

Na técnica No Poo praticado no Brasil, o W.O. é pouco difundido. O No Poo ("brasileiro") é uma técnica que aproveita determinados preceitos de um livro famoso entre as cacheadas no exterior, escrito por Lorraine Massey chamado Curly girl¹  (O Manual da Garota Cacheada, no Brasil).

Digo que a técnica No Poo aproveita os preceitos de Massey pois as técnicas sofreram uma série de modificações em Terra Brasilis.

Exitem pessoas que fazem W.O. no Brasil, e o que podemos falar é que não só de água vive o W.O., usam-se chás adstringentes, hidrolatos, óleos essenciais e uma série de outras formas de limpeza que não envolvem cosméticos.

Mas existe toda uma corrente de No Poo que deixa de usar shampoo e apenas faz ajustes nos outros cosméticos para seguir usando condicionador, máscara, creme para pentear, leave-in, gel, spray, etc.

Você sabia que Lorraine Massey não inventou o Low Poo? Entenda.

Entre as justificativas para deixar de usar xampu estão economia de dinheiro e diminuição do impacto ambiental causado pelos produtos químicos. Xampus sem sulfato também têm sido opções para quem quer abandonar métodos tradicionais.

É verdade que se pode diminuir impacto ambiental através da técnica No Poo, mas isso deve ser uma escolha consciente.

Economia de dinheiro a gente não tem visto muita por essas bandas (pequena crítica), é só dar um rolê nos grupos de No Poo e curtir aquelas fotos de camas cheeeeeeeias de produtos liberados.

Por algum descuido o principal motivo de entrada no No Poo não apareceu na lista do R7, que engraçado: os shampoos tradicionais ressecam desnecessariamente os fios e as pessoas que entram no No Poo estão fugindo justamento destes efeitos dos shampoos.



Ewan McGregor também já se posicionou sobre o tema e é entusiasta da escolha. Alguns especialistas internacionais, no entanto, divergem sobre a ideia.

Nossa... "especialistas internacionais", já ouviram falar deles? - Se vai contar o milagre, faz que nem o Cabeleira em Pé: conta também o santo!

O xampu não prejudica os fios e em alguns casos ainda impede a proliferação de fungos no couro cabeludo, que podem ser um problema em ambientes úmidos, como cidades litorâneas.

Como sempre, fazemos, gostaríamos de respeitosamente perguntar: Qual é a fonte desta informação de que o shampoo não prejudica os fios?

É fato demonstrado em estudo científico², que o Sodium Lauryl Sulfate (presente em praticamente todos os shampoos tradicionais vendidos no Brasil) afeta (quantitativamente) mais a perda de proteínas dos cabelos que outros surfactantes.

Partindo deste dado científico o shampoo tradicional pode sim prejudicar a estrutura dos fios, retirando a cada lavagem uma porção maior de proteínas dos nossos cabelos do que outras alternativas de higienização.

Em alguns casos, o produto tem como ser substituído por uma mistura de bicarbonato de sódio e vinagre de maçã.

Quando se faz No Poo, tem-se muito cuidado com os produtos que entram em contato com os cabelos. Dessa forma são evitados quaisquer ingredientes que possam gerar acúmulo de resíduos

Falamos mais do termo em inglês Build up neste texto em português.

Entre estes ingredientes encontram-se uma série de agentes oclusivos como silicones insolúveis em água e agentes oclusivos derivados de petróleo.

Dessa forma (como os cabelos não estão "impregnados" destes ingredientes) a limpeza é mais simples e pode ser feita de outras maneiras, a mais comum delas é a lavagem por cowash,muito menos agressiva que o shampoo ou o bicarbonado de sódio.

A limpeza com condicionadores (co-wash) é importada do método Curly Girl¹ explica que determinados tipos de condicionadores podem ser usados como alternativa para higienização do couro cabeludo.

Atenção! Nem todo condicionador pode ser usado para cowash. Descubra no link 7 dicas para escolher um condicionador para cowash.

Passo a passo de Como fazer Cowash corrtamente

Como fazer Cowash


Siga estes passos básicos:

Clique para ampliar

  1. Molhe os cabelos, espalhe o condicionador liberado para cowash entre os cabelos, apenas sobre o couro cabeludo, evitando o comprimento e pontas. 
  2. Use a parte molinha dos dedos (as pontinhas) para massagear com delicadeza o couro cabeludo, nunca use as unhas. 
  3. Faça movimentos circulares (ou de vai e vem para não embaraçar), sobre toda a pele do couro cabeludo como se fizesse um cafuné, massageie bastante, por muito mais tempo do que você faria com shampoo, sempre com delicadeza.
  4. Enxágue em abundância.
  5. Verifique a necessidade de condicionar o comprimento e pontas.
  6. Obrigada! De Nada!

Quer lavar os cabelos de forma super delicada? Aqui tem 15 opções de produtos para cowash sem anfótero.

Que artistas e celebridades fazem No Poo?


De qualquer material lido se tira alguma informação útil (é só se esforçar).

Descobrimos que entre os praticantes de No Poo encontram-se figuras como Adele (rainha da sofrência - aquela do Hello, It's me...), Gary Barlow (da banda Take That - baladinhas dos anos 90 #saudades), Robert Pattinson (vampiro que brilha em Crepúsculo) e Ewan McGregor (de Star Wars e Trainspotting).

Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:
__________

Referências:


¹ Bender, M. ; Massey, L. & Chiel, D. (2011). Curly Girl: The Handbook. Workman Publishing Company.
² Sandhu, S. & Robbins, C.R. (1993) A simple and sensitive method using protein loss mea- surements to evaluate surface damage to human hair. J Soc Cosmet Chem 44:163–175

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Shampoo Sem Sulfato no Bem Estar 07/10/2016


Breve Comentário sobre o programa Bem Estar da Globo, que falou de Shampoos Sem Sulfato e sobre Petrolatos em 7/10/2016


Alguns trechos do programa podem ser conferidos no link abaixo:


Para quem perdeu, o matutino Bem Estar da Globo abordou alguns temas pertinentes às rotinas No Poo e Low Poo. O tema mais discutido foi o do Shampoo Sem Sulfatos.

Infelizmente na matéria publicada no G1, o programa não está na íntegra, mas a gente conta pra você como foi.

A gente avisou no twitter, Instagram e Facebook que o programa estava começando. Você não segue a gente ainda? Bora seguir a gente? Assim você não perde a próxima: 
  

Há quem critique o programa como um todo, outros criticam posições sobre esse ou aquele assunto. 

Não acompanho o programa diariamente e hoje, por coincidência vi uma chamada falando sobre o tema “Shampoo sem Sulfatos”. Confesso que rolou um arrepio.

Pensei no que já falaram sobre No Poo e Low Poo na mídia, pensei: Vamos ser massacrados, DE NOVO!

Você está atrás de Shampoo Low Poo Barato? Clique aqui e confira opções baratinhas.

Só que dessa vez não foi bem assim.

O programa não falou sobre No Poo e Low Poo. Focou mais na higienização dos fios e couro cabeludo e na comparação entre shampoo tradicional e Sem Sulfato.

Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:


Pontos Positivos


  • A repórter diz, na primeira matéria externa: “Sem sulfato limpa também”. Meu frio na barriga diminuiu;
  • Quando apresentaram as meninas para o bate papo eu adorei o fato de que não eram mulheres maquiadérrimas, magérrimas, eram gente comum como eu e vocês, falando de um produto que salvou os cabelos delas.
  • Gostei muito do fato de que o grupo se dividiu entre aquelas que só buscaram o shampoo sem sulfato por motivos estéticos e aquelas que tinham isso como filosofia para outras áreas da sua vida (alimentação saudável, cosméticos para a pele menos agressivos...). Isso mostra que o shampoo sem sulfato contempla mais de um estilo de vida.
  • A dermatologista deixa claro que o Shampoo convencional não faz mal à saúde, mas danifica o fio de cabelo.
  • A dermatologista disse que cada um deve conhecer o seu couro cabeludo. Nesse ponto eu achei que ela estava dizendo o que a formação dela impede ela de dizer "Testem e vejam se funciona";


  • A dermatologia trata como mito a frase de que "espuma é sinônimo de limpeza". Nesse ponto eu já estava com os olhos vidrados na TV;
  • Quando o químico mostrou fotos do cabelo sob microscópio, comparando o dano causado pelo shampoo com sulfato e o sem sulfato eu achei o máximo, porque a imagem causa bastante impacto. Você ver que o shampoo com sulfato tira “pedacinhos” do seu cabelo é chocante.

    Você sabia que Nem todo Shampoo sem Sulfato é Liberado para Low Poo? Entenda neste link e evite comprar gato por lebre.
  • A dermatologista disse que o condicionador tem potencial de limpeza sim, mas inferior ao shampoo, e essa parte não tem nos vídeos do G1, que saco!;
  • A dermatologista afirmou usar Shampoo Sem Sulfato. Aí eu já pensei "Tu faz Low Poo e não quer contar porque tuas colegas dermatologistas vão te massacrar";
  • A Apresentadora afirmou ter usado condicionador para lavar os fios durante a infância;
  • O químico afirmou que os petrolatos estão sendo substituídos por outros agentes oclusivos mais modernos (entre eles as ceramidas, a queratina e extrato de quinoa), ele disse isso interrompendo o apresentador que disse “Então tudo OK com o petrolato?”, confesso que vibrei, achei o máximo ele corrigir o apresentador, dizendo ainda que os petrolatos deixam o cabelo pesado, emplastrado e que estão em desuso.
  • Conselho da dermatologista para o Neymar: “Faça uma hidratação entre uma química e outra”. #morri


Crescimento Capilar também depende da escolha de um bom Shampoo. Descubra aqui o motivo para escolher um Shampoo Sem Sulfato.

Pontos Polêmicos


  • Uma telespectadora pergunta sobre os “proibidos”. O papel da jornalista e da dermatologista foi o de informar que eles não são proibidos para a população geral. Mas acho que poderia ter ficado mais claro e que elas poderiam ter dito que eles são chamados de “proibidos” por quem faz determinadas técnicas de cuidados capilares que evitam o uso destes componentes.
  • "Cabelo mais oleoso precisa de Shampoo com sulfato”. Eis um ponto que muitas pessoas que leem o Cabeleira em Pé vão discordar com a posição da dermatologista. Estou entre essas pessoas pois meu cabelo ficou muito menos oleoso depois que aderi ao Low Poo, e quanto mais espaçadas ficam minhas lavagens com o shampoo (fazendo cowash), menos oleoso ele fica a longo prazo.

    Olha que legal! Aqui tem uma Lista com 7 Shampoos sem Sulfato com pH "baixo" (menor que 5,5).
  • Apesar de polêmica, a colocação do apresentador de que o petrolato mantém a hidratação, proteção e brilho através de uma película sobre os fios é verdadeira. Lembrem-se que o problema do petrolato é o fato dele não ser retirado facilmente com shampoos sem sulfato. Evitamos os petrolatos nas rotinas No Poo e Low Poo justamente porque nossas alternativas de higienização não dão conta de “desintegrar” essa capa de proteção formada pelos “petrolatos”. Essa informação não ficou pela metade pois o químico esclareceu dizendo que o petrolato está sendo substituído por ingredientes mais naturais e avançados tecnologicamente;
  • Fala-se da tendência de desuso dos parabenos mas ninguém explica o porquê. Ninguém falou da alta incidência de alergias nem dos estudos contraditórios sobre a correlação entre estes conservantes e determinados tipos de câncer.
  • Shampoo no comprimento. Alguém falou de usar shampoo nas pontas do cabelo (não lembro quem foi), isso também causou burburinho porque as pontas viram uma farofa quando a gente abusa do shampoo nessa região. O shampoo é desenvolvido em especial para o couro cabeludo, tem (normalmente) o pH desta região do corpo e é necessário para a limpeza desta parte da epiderme. Se a pessoa quiser lavar as pontas com shampoo, tudo bem, só desejo boa sorte. #prontofalei

Descubra A verdade assustadora sobre o pH de shampoos no Brasil.

No final das contas...


Acho que, entre mortos e feridos, o programa não prestou um desfavor às técnicas.

Foi muito mais leve do que eu esperava. Não houve nenhuma crítica direta ao No Poo e Low Poo.

Houveram alguma informações passadas pela metade, mas o programa é super curto, espremido entre a Ana Maria Braga e a Fátima Bernardes, me admira que alguns assuntos não ficaram ainda mais resumidos.

Já vimos em outros meios de comunicação situações muito piores em que se dizia que não usar shampoo faz mal, que sulfato é essencial para a limpeza, fazendo parecer que somos um bando de pessoas neuróticas, obsessivas e fedorentas. Não foi o que ocorreu hoje.
As técnicas não foram citadas nominalmente na TV, mas na matéria do G1 elas foram citadas mais de uma vez: não entendi o porquê, talvez tenha a ver com a patente. 

Acho isso ótimo pois o que foi dito é suficiente para despertar a curiosidade. Quem se interessou procura mais informação sobre o assunto, e espero que encontre a informação correta.

E você, assistiu o programa? O que achou da abordagem? Conta pra gente!


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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Resposta ao Artigo "Shampoo sem parabenos e sulfato faz mal aos cabelos" da Caras

Qual o melhor tipo de shampoo? com ou sem sulfato? com ou sem parabenos?

Quem já está fazendo No Poo (Sem Shampoo) e Low Poo (Shampoo Leve) há mais tempo já se acostumou com aquelas matérias que aparecem de tempos em tempos em portais de notícias, sabendo as manchetes de cor: "Petrolatos não fazem mal" diz um, "Não se pode viver sem shampoo" diz outro.

A vida segue e assim seguimos nós sem shampoos e sem petrolatos.


Esta é a segunda carta-resposta escrita pelo Cabeleira em Pé, a primeira foi mais trabalhosa. Confira neste link a Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

A bola da vez é um texto da Caras.com.br e o material pode ser lido na íntegra aqui.

Como no nosso outro artigo de direito de resposta, este aqui seguirá a mesma lógica: apresentaremos os principais argumentos do texto em caixinhas cinza, seguidos de nossas considerações.

Shampoo sem Parabenos e Sulfato fazem mal aos cabelos, será?



Uso diário deles [parabenos e sulfato] é indispensável, mas cortar produtos feitos à base destes compostos químicos vai ressecar os fios e deixá-los mais secos. 

Podemos afirmar que ambos os insumos (Parabenos e Sulfatos) são substituíveis por alternativas mais modernas e menos agressivas - tornando-os bastante dispensáveis.

Existem no mercado surfactantes que (por terem cadeias carbônicas mais longas) não causam tanto dano e alergia quanto os Sulfatos, ressecando menos os fios do que os surfactantes tradicionais (sulfatos).

Os Parabenos, por sua vez, são uma classe de conservantes, existem muitos outros agentes antimicrobianos e antifúngicos menos polêmicos que podem substituí-lo sem grande esforço.

Clique nesse link para dicas de Produtos para o cabelo sem Parabenos.

Uma nova tendência no mundo da beleza está em alta. A "moda" agora é usar shampoos e condicionadores sem parabenos e sulfatos, substituindo eles por produtos mais naturais e eco friendly.

Existe realmente uma tendência no mercado de beleza que direciona a pesquisa de seus insumos para produtos menos agressivos.

Os produtos estão ficando cada vez mais alinhados com o pensamento de seus clientes que passaram a se informar mais sobre o que põe em contato com sua pele e cabelos.

A Factor-Kline divulgou as tendências para insumos cosméticos para os próximos anos. Confira neste link.

Achamos a escolha do termo "moda" bastante infeliz.

Os produtos sem Parabenos são uma realidade há muitos anos já que - além de muitas pessoas serem alérgicas a esta classe de conservantes - as pesquisas ainda não conseguiram entrar em consenso sobre a relação entre parabenos e câncer (como o de mama). ³

Na Europa em 2012 (quatro anos atrás) a Comunidade Europeia, recomendou a redução da concentração máxima dos derivados propilparabeno e butilparabeno pela metade em função de evidências toxicológicas.³

Através da Public consultation on Parabens in  the framework of Regulation, os europeu propuseram que os parabenos dos tipos isopropilparaben, isobutilparaben, fenilparaben, benzilparaben e pentilparaben fossem banidos e que a segurança dos derivados propilparaben e butilparaben fosse reavaliada.³
Não é porque alguém descobriu os cosméticos sem parabenos hoje que isso se torna moda. Isso só faz desse alguém uma pessoa desinformada.

Nem todo o produto sem sulfato é eco-friendly. A maior parte das pessoas que recorre aos produtos sem sulfatos, o faz por uma questão de preservação dos fios, já que os sulfatos causam danos aos mesmos (nos estenderemos mais sobre isso mais adiante).

É possível agredir menos o meio ambiente fazendo Sem Shampoo e Shampoo Leve. Aqui falamos de algumas 
 Vantagens de aderir às técnicas.

Todavia, estes dois [sulfatos e parabenos] são essenciais para a beleza e saúde dos fios, principalmente para quem tem cabelos ressecados e tingido (sic)

Parabenos não têm influência estética nenhuma nos cabelos portanto não são essenciais para a beleza e saúde dos fios. Eles apenas garantem que o produto não estrague na prateleira.

Os cabelos ressecados e/ou quimicamente tratados são mais susceptíveis a perdas de proteínas pois a cutícula de suas hastes já está danificada de forma irreversível. O uso de sulfatos agressivos como o Sodium Lauryl Sulfate (SLS) aumenta ainda mais este tipo de dano à queratina presente nos fios, devendo ter seu uso evitado.

Higienização Sem Sulfatos


  " O sulfato é essencial para limpar bem o couro cabeludo. É importante que os fios sejam limpos desde o couro, devido ao suor e poluição do ambiente, portanto, não indico que seja abolido totalmente. No entanto, ele também não precisa ser usado diariamente. Lave os fios de dois em dois dias e alterne com produtos sem sal. Assim, eles ficarão mais leves e sofrerão menos agressão”, comenta a terapeuta capilar Ana Paula Nesi, do Studio Sonia Nesi.

O papel do shampoo é - principalmente - a higienização do couro cabeludo, concordamos com esta afirmação da terapeuta capilar. Mas os surfactantes agressivos como o Sodium Laureth Sulfate (SLES) não são os únicos tensoativos no mercado.

O uso de produtos sem sal (que nem sempre são sem-sulfato) é indicado para cabelos quimicamente tratados. Os cabelos que não sofreram nenhum dano não apresentam nenhuma alteração quando tratados com shampoos sem sal em relação aqueles higienizados com shampoo com sal (NaCl).¹

Se a intenção é de agredir menos os fios, a alternativa mais sensata é a substituição dos sulfatos por alternativas menos agressivas.

Em relação aos parabenos, eles são necessários para livrar os produtos da ação dos microorganismos: “O que indico é que use os shampoos em pouca quantidade e apenas no couro cabeludo. Não esfregue até as pontas. Enxague bem, sem deixar resíduos”, afirma Ana Paula.

A Sra. Ana Paula explica com clareza qual a função dos parabenos. Entretanto, existe uma série de alternativas à esta classe de conservantes (parabenos), menos alérgicas e livres de dúvidas em relação à associação com desenvolvimento de câncer.

Apoiadíssima a posição de que shampoo foi feito para o couro cabeludo, até porque seu pH não costuma contemplar a acidez dos fios, fazendo com que as escamas da cutícula se abram desnecessariamente.

Descubra alguns Mitos sobre o pH dos Shampoos.

Sem sal é diferente de sem sulfato! 


Já o hairstylist Wagner Lisboa, do Esmell, afirma que os produtos "sulfato free", ou sem sal, não coneguem (sic) hidratar os fios, deixando-os mais ressecados. " Eeles (sic) têm uma ação adstringente, pouco hidratante, por isso não indico para quem tem escova progressiva ou outras químicas, pois este tipo de cabelo ainda vai sofrer mais com o ressecamento causado pelo sulfato”, comenta.


Sem Sal ou Sem adição de Sal se refere à abolição do uso de sal de cozinha (NaCl) como espessante em fórmulas cosméticas. Nos rótulos de cosméticos Sal e Sulfato são coisas completamente diferentes!

O sal é um espessante que, segundo pesquisa de 2010¹, piora o aspecto dos fios que passaram por tinturas, em especial as mechas castanho-claras. Segundo o mesmo artigo os cabelos virgens não apresentam nenhum dano adicional ao serem expostos ao shampoo com sal.

Os termos Sem Sulfato ou Sulfate Free se referem a ausência de determinados surfactantes agressivos da família dos Sulfos como o Sodium Lauryl Sulfate (SLS) e Sodium Laureth Sulfate (SLES) que, ao serem testados em laboratório, mostram-se mais agressivos à fibra capilar (usando-se teste de comparação de perda de proteínas entre surfactantes²) do que outros surfactantes.

Realmente, como o hairstylist afirma, os tensoativos suaves não são capazes de hidratar os fios mas os sulfatos também não o fazem. A hidratação não é função dos surfactantes (detergentes). Os agentes responsáveis pela hidratação são outros.

O que são agentes Hidratantes, Umectantes e Oclusivos?

Ao contrário do que foi sugerido, os shampoos sem sulfato são menos agressivos do que os tradicionais e são muito indicados para cabelos quimicamente tratados, já que o SLS e SLES causam maior perda proteica que outros surfactantes mais suaves.

A função do shampoo é de higienização, mas ela pode ser feita de forma menos agressiva usando produtos do tipo Sem Sulfato, que são os shampoos liberados para a técnica Shampoo Leve.

Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:

Conclusão


Este tipo de texto acaba gerando confusão em quem está começando as técnicas, difundindo - ainda que sem nenhuma intenção - conceitos sem embasamento científico.

Apresentamos uma contra-argumentação baseada em estudos sérios, cujas referências se encontram no final deste texto e são sugestão de leitura para quem se interessar sobre o assunto.

Espero que o texto tenha dissipado quaisquer dúvidas daqueles que leram o artigo original da Caras e ficaram abalados.

Caso ainda exista alguma dúvida, use o espaço dos comentários para se manifestar, teremos prazer em ajudar.

E para descontrair, vamos usar o Boomerang do instagram da Sara do @cachosdesara que resume nossa reação ao ler o artigo pela primeira vez.

Um vídeo publicado por Sara. (@cachosdesara) em


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__________  
¹Zanatta, G., Onofre, T., Netz, D. J. A. & Moser, D. K. (2010). Avaliação da Integridade do fio de cabelo com a utilização de Xampu Espessado com Cloreto de Sódio ou com Hidroxietilcelulose. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Tecnologia em Cosmetologia e Estética) - Universidade do Vale do Itajaí.
² Sandhu, S. & Robbins, C.R. (1993) A simple and sensitive method using protein loss mea- surements to evaluate surface damage to human hair. J Soc Cosmet Chem 44:163–175
³ Coelho, C. S. (2013). Parabenos : convergências e divergências científicas e regulatórias. Dissertação para título de Mestre em Toxicologia Aplicada à Vigilância Sanitária. Universidade Estadual de Londrina, Centro de Ciências da Saúde.

sábado, 7 de maio de 2016

Derivados de Petróleo Fazem Mal aos Cabelos? - Resposta a um Artigo - Parte 3


Pote com substância cremosa que poderia ser proibida para No Poo e Low Poo


Esta é a terceira parte de uma resposta em 3 seções. Acesse a primeira parte da Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

Chegamos agora à parte final da nossa resposta ao artigo O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos, divulgado no portal Cosmética em Foco. 

O que nos motivou a escrever este texto foi a comoção gerada entre alguns praticantes das técnicas de No Poo e Low Poo.

Achamos necessário dizer, ao finalizarmos esse ciclo de "réplicas" ao texto do Ivan Souza, que a dúvida é um movimento muito sadio. Corremos esse risco (de duvidarmos de nossas concepções) apenas quando estamos abertos a ouvir opiniões diferentes das nossas.

Mas não há motivo para pânico. A dúvida (assim como a curiosidade) é madrinha da pesquisa. Se alguém afirma algo que desacomoda as suas crenças: pesquise, estude e depois disso tome a decisão de mudar ou não.

A Segunda parte da resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" pode ser encontrada neste link.


Falávamos, no trecho anterior, do uso dos shampoos. 

O autor do Cosmética em Foco deu sua opinião sobre os surfactantes e expomos a posição dos praticantes das técnicas sulfate-free

Seguiremos de onde paramos, com o mesmo formato: as considerações do Ivan antes das do Cabeleira em Pé, usando fontes diferentes. Segue a partir daqui:

Além de utilizar o xampu em uma ou duas aplicações, conforme a necessidade, a lavagem também requer uma boa massagem dos cabelos e do couro cabeludo.

Agora partiu pra ofensa (brincadeira!).

Somos uma legião de massageadores, convenhamos, e nos orgulhamos disso. Certamente prestamos muito mais atenção na parte da massagem do que pessoas que não fazem Low e No Poo.

Se você faz cowash sem massagear gostoso o seu cabelo e couro cabeludo: Você não está fazendo No/Low Poo direito (sério!). 

Como todo derivado de petróleo, o uso do Petrolatum tem um impacto ambiental considerável! Se você se preocupa com o meio ambiente e quer manter um planeta saudável para as próximas gerações, talvez seja melhor dar preferência a ingredientes que sejam mais facilmente renováveis, como os óleos e manteigas vegetais, especialmente aqueles com certificação orgânica e livres de Greenwash! Esta sim é uma boa razão para dizer não aos petrolatos…

Dessa foma, somam-se as razões estéticas (sugeridas pelas técnicas como o CGM de Lorraine Massey) e as razões ecológicas (levantadas neste trecho pelo Ivan).

Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:

Na dúvida, experimente


Não gostaríamos de fechar essa discussão sem antes fazer uma proposta:

Você acha que faltam experimentos científicos discutindo os benefícios/malefícios do uso de "petrolatos" nos cabelos?

Acha que muitos artigos publicados podem estar apenas perpetuando a ordem estabelecida pelo mercado, beneficiando o bolso de grandes empresas, preservando o uso de ingredientes nocivos (mas baratos)?

Por que não fazer um experimento científico você mesmo. #desafiolowpoo #desafionopoo 

1) Lave e condicione seu cabelo;

2) Analise e anote aspectos como maciez, brilho, penteabilidade, quebra, queda...;

3) Fotografe seu cabelo;

4) Comece uma rotina (escolha a que você se identificar mais, tanto faz): Low Poo ou No Poo;

5) Siga a rotina durante 2 meses;

6) Depois destes 60 dias higienize e condicione seu cabelo respeitando a técnica escolhida;

7) Analise aspectos como maciez, brilho, penteabilidade, quebra, queda...;

8) Fotografe seu cabelo (de preferência nas mesmas condições de luz que no item 3;

9) Compare as análises dos itens 2 e7;

10) Compare as fotos dos itens 3 e 8;

Verifique depois disso quais foram as mudanças em seus cabelos.

Usando este método científico caseiro você garante que os únicos interesses preservados serão os seus.

Agradecemos a companhia de todos nessa jornada em 3 paradas.

Não deixe de nos integrar à sua rede social favorita: 


__________
¹ N., Concin & Cols. (2011). Evidence for cosmetics as a source of mineral oil contamination in women. J Womens Health (Larchmt). v. 20 n.11

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Derivados de Petróleo Fazem Mal aos Cabelos? - Resposta a um Artigo - Parte 2


Mulher oriental com pele muito bonita passa creme no rosto


Continuaremos nesta postagem a discutir os principais pontos do artigo O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos do farmacêutico Ivan Souza.

Leia a primeira parte da Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

Seguiremos destacando em caixas de cor acinzentada os trechos do autor, seguidos pelas considerações do Cabeleira em Pé. Seguiremos abaixo de onde paramos na primeira parte.

...nenhum produto cosmético é capaz de nutrir os cabelos. O cabelo é composto por fibras provenientes de células mortas e o que está morto não precisa de ‘nutrição’...

Esse é um mito propagado pela indústria cosmética (que adora a palavra "nutrição") e fãs do cronograma capilar.

Nada contra esse último, só achamos realmente infeliz a escolha do termo "nutrição". Se bem que entre "nutrição" e "lubrificação" tendemos a usar a primeira.

Você já leu a Resenha do Creme Umectante Bang! Óleo de Coco da Tutanat? Confira neste link.

Os óleos usados na etapa de "Nutrição" do cronograma capilar não "nutrem" os fios.

Eles auxiliam a reposição de gorduras presentes no cimento intercelular (conhecido também como Complexo de Membrana Celular), composto de diversos lipídios (como o esqualeno, triglicerídeos, ácidos graxos, colesterol, ceramidas...)¹.


Confira na série de textos linkados abaixo como fazer escolhas inteligentes ao escolher óleos vegetais para o seu cabelo:


O termo nutrição remete à alimentar. Como o Ivan diz adiante no texto a nutrição (alimentação) dos fios é mais efetiva quando vem de dentro: Alimente-se bem! Isso certamente trará benefícios para suas madeixas. 

Mas não deixe de usar óleos, eles tem uma série de benefícios para os seus cabelos. A implicância do Cabeleira em Pé com a "nutrição" é meramente semântica. 

Nas minhas pesquisas, eu não encontrei qualquer trabalho que mencione que os óleos vegetais são mais eficientes que os derivados do petróleo em termos de lubrificação e hidratação.

Nós podemos dizer também que: Em nossas pesquisas, não encontramos qualquer trabalho que mencione que o petrolatum é mais eficiente do que os óleos vegetais em termos de lubrificação e hidratação dos cabelos.

O autor cita no início do texto que "Estudos in vivo disponíveis na literatura mostram que o Petrolatum tem maior potencial hidratante para a pele seca que outros ingredientes naturais".

O estudo in vivo comparando óleos vegetais e petrolatum que encontramos² que falava de pele realmente não demonstra maior hidratação dos óleos vegetais quando usados na pele.  Este estudo indica que o petrolatum é mais oclusivo que os demais na pele.

A Oclusão da pele é uma ótima forma de hidratá-la pois a verdadeira hidratação da pele vem "de dentro" por se tratar de um tecido vivo. Então agentes oclusivos são ótimos se usados no tecido cutâneo. Não podemos afirmar o mesmo a respeito do tecido "morto" dos fios de cabelo.

Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:

É nítido que existe uma grande confusão dentro da comunidade Low Poo e No Poo no Brasil. 

Propagou-se a concepção errônea de que os "vilões" da técnica são os derivados de petróleo.

Não são. Aderir a estas técnicas significa abrir mão de surfactantes fortes como o Sodium Lauryl Sulfate. 

Deixamos de usar alguns derivados de petróleo pois nota-se na prática a ineficiência de surfactantes leves na limpeza destes petroderivados.


Nem todos os derivados de petróleo são proibidos para as técnicas. Entenda mais sobre o assunto e descubra uma Lista de derivados de petróleo Proibidos para Shampoo Leve (Low Poo) e Sem Shampoo (No Poo).

O que nos leva ao próximo ponto:

Ainda que os petrolatos não sejam solúveis em água, a presença desses tensoativos nos xampus e na própria emulsão que veiculou os petrolatos até o cabelo permite que essas substâncias sejam carregadas pela água da lavagem.

Nós sinceramente gostaríamos de ter acesso a estes estudos. Sempre ouvimos a colocação de que os shampoos com surfactantes leves, ou os surfactantes/tensoativos dos condicionadores usados no cowash não são suficientes para retirar os resíduos de "petrolatos" dos fios.

O Cabeleira em Pé desaconselha o uso de produtos com "petrolatos" se você não usa shampoo ou quando seu shampoo é do tipo sem sulfato.

Quando eventualmente usamos por engano algum produto com petroderivados "proibidos" notamos o cabelo pesado e com aparência sebosa, sensação que é dissolvida com o uso de um shampoo com detergentes fortes seguida da interrupção de uso do produto "proibido".

Esta sensação de emplastramento dos cabelos decorrente do uso de 'petrolatos' foi trazida à tona no programa Bem Estar na Globo.


A única fonte que encontramos falando a respeito disso é o já citado livro da Audrey³. Adoraríamos ter acesso aos seus materiais que falam a respeito da eficiência dos shampoos leves na limpeza de petroderivados.

Leia a terceira e última parte da Resposta ao artigo "O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos" do Cosmética em foco.

Acompanhe nosso material na sua rede social favorita: 

__________
¹ Masukawa, Y. ; Narita, H. & Imokawa, G. (2005). Characterization of the lipid composition at the proximal root regions of human hair. Journal of Cosmetic Science ed. 56 v. 1. pp. 1-16
² Patzelt, A. & Cols. (2012). In vivo investigations on the penetration of various oils and their influence on the skin barrier. Skin Research and Technology v.18 n.3.
³ Audrey Davis-Sivasothy. (2011). The Science of Black Hair: A Comprehensive Guide to Textured Hair. SAJA Publishing Company.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Derivados de Petróleo Fazem Mal aos Cabelos? - Resposta a um Artigo - Parte 1


Creme cosmético branco com textura de petrolato


Quer ver outras respostas do Cabeleira em Pé à este tipo de matéria? Escolha um dos links abaixo:

Talvez uma ou duas semanas atrás nos deparamos com mais um artigo questionando algumas posições que os adeptos de No Poo e Low Poo defendem com unhas e dentes. Trata-se de um texto  divulgado no site Cosmética em Foco com o título O uso do petrolato e de outros derivados de petróleo nos cabelos.

Achamos que a agitação duraria um dia ou dois, como normalmente acontece com esse tipo de artigo nas comunidades que discutem as técnicas SLS-free, mas a dúvida se instalou por mais tempo que o normal, o que nos motivou a discutir o referido material.


O Site da Caras afirmou recentemente que Shampoo sem parabenos e sulfato fazem mal aos cabelos. Clique e descubra se isso é verdade.

Antes de mais nada, o que decidimos fazer é discutir, dentro das nossas possibilidades, os principais pontos apresentados ao longo do discurso do Ivan Souza construindo nosso argumento baseado nas principais afirmações feitas pelo autor. 

Nossa postura é sempre de somar ou discordar apresentando nosso embasamento, numa tentativa mais direcionada ao "desacomodar" do que ao "impor" nossos pontos de vista.

Já avisamos de antemão que há pontos em que concordamos com o autor, então se você discordou de tudo que ele escreveu, talvez não goste do que vai ler aqui.

Vamos começar então com a primeira parte dos principais argumentos do autor em uma caixinha de cor cinza para diferenciar o texto do autor de nossas considerações.


Estudos in vivo disponíveis na literatura mostram que o Petrolatum tem maior potencial hidratante para a pele seca que outros ingredientes naturais como a lanolina (Lanolin), o óleo mineral (Mineral Oil) e o óleo de oliva (Olive Oil)

O que precisa ser dito é que não existem tantas fontes que falem a respeito de benefícios (e malefícios) do Petrolatum para os cabelos. Temos muitos artigos a respeito da eficiência como agente oclusivo quando usado na pele, e talvez por isso estendemos (por analogia) aos cabelos. 

Mas, como o Ivan dirá adiante, cabelo é material "morto" e a pele é composta de células vivas que se renovam constantemente. Portanto é complicado fazer estas analogias entre os efeitos na pele e nos cabelos.

Confira na série de textos linkados abaixo como fazer escolhas inteligentes ao escolher óleos vegetais para o seu cabelo:


A respeito desta carência de artigos sobre o assunto: a Ciência tem uma relação bastante promíscua com o dinheiro. E o poder aquisitivo na relação cliente e grandes corporações está normalmente mais do lado de lá (empresas cosméticas) do que do lado de cá (consumidores), portanto é possível desconfiar de quais interesses serão privilegiados na maior parte das pesquisas científicas.

Nunca se sabe quem financiou a pesquisa que você está lendo. Questione o que você lê!

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Quando o Cosmética em Foco me pediu para escrever sobre o Petrolatum eu fiquei aterrorizado, pasmo mesmo, com a quantidade de absurdos e bobagens que se propagam na internet em blogs e vlogs de pessoas que claramente não sabem do que estão falando. E pior, algumas dessas pessoas começaram a clamar “estudos científicos” para que seus argumentos soassem mais verdadeiros!

Concordamos em gênero número e grau. O Cabeleira em Pé nasceu justamente por acreditar poder fazer a diferença no rompimento de propagação de mitos dentro da comunidade No e Low Poo. O Ivan levanta uma questão essencial a qualquer consumidor consciente: o uso da expressão "estudos científicos" não significa absolutamente nada. 

Se um autor realmente recorreu a estudos científicos para embasar sua argumentação e não cita quais os artigos usados, além de impedir o crescimento intelectual dos seus leitores está plagiando o material de outra pessoa, o que além de imoral é crime muito feio. 

Temos vários textos sobre cosméticos com embasamento científico.

Não aceite tudo como verdade absoluta, duvide sempre um pouquinho, isso impede que você seja posto no cabresto.


O primeiro erro encontrado na mídias virtuais foi o uso do termo “petrolato” pra se referir a todos os derivados de petróleo. Tecnicamente, Petrolatum é diferente de óleo mineral e de parafina, entre outros, mas até aí tudo bem! Vamos aceitar este neologismo que é até conveniente!

É super conveniente. 

Se toda a vez que eu tiver que falar dos "petrolatos" eu usar o termo "derivados de petróleo proibidos para No e Low Poo", o discurso fica beeem arrastado. 

Consideramos "petrolato" um apelido fofo para "derivados de petróleo proibidos para No e Low Poo". 

Spoiler: às vezes usamos o termo "petroderivados" (que também é um neologismo). 

O autor apresenta os seguintes argumentos usados (de forma equivocada) entre os praticantes de No e Low Poo: 

“Estudos científicos comprovam que os óleos vegetais são melhores que os petrolatos porque conseguem chegar até o córtex do cabelo e nutri-lo. Já os petrolatos ficam apenas na superfície do fio formando uma barreira"



A maldição do "estudos científicos". Na verdade, existem estudos sim¹,² que demonstram a capacidade de "penetração" na fibra capilar de determinados óleos vegetais.

Os mesmos estudos costumam demonstrar também a inabilidade de certos "derivados de petróleo proibidos para No e Low Poo" (só para descontrair!) de fazerem o mesmo.

Qual a relação entre o uso de 'Petrolatos' e o Crescimento Capilar? Descubra aqui porque o No Poo e Low Poo podem ajudar o seu Projeto Rapunzel.

“Os petrolatos formam um filme ao redor dos fios que se acumula com as aplicações e não dá pra remover nem com xampu antirresíduos”

Que mentira mais cabeluda! E sabemos que isso é dito por aí mesmo. 

Esse é o tipo de falácia que nos deixa furiosos e é por isso que entendemos porque algumas pessoas não nos respeitam. Praticantes de No Poo e Low Poo:

Qual foi o primeiro passo antes de começarem as rotinas da técnica escolhida?

a) Lavei o cabelo com shampoo normal (com SLS) para retirar qualquer vestígio de petroderivados
b) Raspei o cabelo pois estava cheio de "petrolatos" e eles não saem nem com shampoo antirresíduos

Se sua resposta é A, parabéns! 

Se sua resposta foi B, você deve ter escrito em seu blog que os petrolatos não saem nem com shampoo antirresíduos (vergonha alheia).

Veja aqui O que é e como descobrir se você sofre de ARC - Acúmulo de resíduos nos cabelos (Build up).

“Os petrolatos se acumulam nos fios de cabelo impedindo que outros ingredientes nutritivos possam chegar até o córtex do fio e, apesar de seu excelente efeito imediato, na verdade, apenas enganam o consumidor com uma aparência de cabelo saudável!”

O argumento usado pela Vida, colaboradora do livro da Lorraine Massey³ é de que os derivados de petróleo, silicones, ceras e óleos secos (?) - que são agentes oclusivos - criam um filme sobre o fio de cabelo. Esse "filme" deveria "prender" a hidratação dos cabelos "dentro" dos fios. 

A posição da autora é de que por se tratarem de estruturas hidrofóbicas estes compostos podem impedir a hidratação dos fios e atraindo partículas de sujeira.  

Acreditamos (e essa é uma suposição) que isso se dê principalmente quando o cabelo é lavado com vários dias de espaçamento, expondo o fio constantemente às propriedades hidrofóbicas destas substâncias. 

Outra crítica feita pela cacheada é de que depois de lavados, os cabelos são rapidamente condicionados e "presos" novamente nessa mistura cheia de substâncias hidrofóbicas. Isso se repetiria em um ciclo constante, prejudicando os fios.

Temos um post focado em formas de hidrtação entre elas  
os Agentes Oclusivos

Bastante similar a esse discurso é o da autora Audrey Davis-Sivasothy 4. Ela afirma que o Petrolatum bloqueia 98% da entrada de hidratação nos cabelos. 

É da mesma autora a informação de que este derivado de petróleo - por ser um óleo não-polar - é dificílimo de ser tirado dos fios sem um shampoo a base de sulfatos fortes. 

Também surge nesta obra a premissa de que os cabelos são "maquiados" por substâncias como o Petrolatum. Esta analogia se dá em função da substância apenas cobrir os fios com uma camada brilhante, sem trazer benefícios secundários, ocultando um cabelo, muitas vezes, seco e quebradiço - afirmação essa que não pode ser levada - necessariamente - ao pé da letra.


É verdade ou mito que Petrolato só maquia o cabelo? Isso é ruim? Surpreenda-se com a resposta aqui.

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Referências


¹ Rele, A.S. & Mohile, R.B. (2003). Effect of mineral oil, sunflower oil, and coconut oil on prevention of hair damage. Journal of Cosmetic Science v.
S. B. Ruetsch & cols. (2001). Secondary ion mass spectrometric investigation of penetration of coconut  and   mineral oils into human hair fibers: Relevance to hair damag. Journal of Cosmetic Science v.
Bender, M. ; Massey, L. & Chiel, D. (2011). Curly Girl: The Handbook. Workman Publishing Company.
4 Audrey Davis-Sivasothy. (2011). The Science of Black Hair: A Comprehensive Guide to Textured Hair. SAJA Publishing Company.