sábado, 18 de abril de 2020

Treta da Deva | 4 lições que podemos aprender

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Treta Deva

O que está acontecendo nos Estados Unidos com a Deva Curl?




Recentemente - nos Estados Unidos - a DevaCurl tem passado por maus bocados depois do surgimento de diversos vídeos de cacheadas (incluindo ex-embaixadoras da marca) relatando experiências desagradáveis com os produtos da marca.

Antes de falar mais sobre o assunto, precisamos deixar claro que os produtos DevaCurl Brasil são bastante diferentes dos da Deva americana, as composições são diferentes e não há quaisquer relatos sobre reações semelhantes nos produtos nacionais da Deva.

Resolvemos falar sobre a situação para clarificar algumas questões que achamos pertinentes nesta discussão. Não se trata de um post em busca da explicação do que está acontecendo de fato com os produtos da Deva ou uma tentativa de culpabilização de qualquer lado.

Estamos aqui para falar a respeito do que podemos aprender com a situação, que lições podemos tirar do que aconteceu com as pessoas que tiveram problemas com os produtos da DevaCurl.


DevaCurl: Qual é a treta?


Por mais que tenhamos recebido pedidos em comentários e por direct de um 'posicionamento' a respeito do que aconteceu com a Deva, sabemos que muitas pessoas que acompanham o blog não sabem o que está acontecendo e por isso vamos tentar resumir os relatos das americanas sobre a situação.

As histórias destas pessoas se popularizaram no início deste ano, tanto em vídeos no youtube quanto em grupos no Facebook.

Estes relatos incluem especialmente a deformação do padrão de curvatura de cabelos, queda capilar acentuada e falhas no couro cabeludo. estas pessoas estão se organizando em uma ação coletiva contra a marca.

A DevaCurl americana se posicionou através de nota reafirmando seu compromisso com a segurança e qualidade de seus produtos.


Lição 1: Quando um gigante engole um anão


Vivemos hoje em um mundo dominado por grande marcas, multinacionais com guarda-chuvas que cobrem dezenas e dezenas de marcas famosas.

Entretanto, de tempos em tempos, surgem marcas menores, independentes e inovadoras - chamamos isso hoje de marcas Indie.

Estas marcas sacodem o mercado, conquistam os consumidores por posicionamentos específicos, identidade visual ousada, formulações inovadoras, entre outras estratégias que fazem daquela marca uma marca única.

Quando as gigantes do mercado percebem esse potencial, você pode apostar, elas começam a fazer ofertas.

Em muitos casos a marca Indie acaba sendo vendida para uma multimarcas gigante que aos poucos vai despersonalizando aquela marca, ela vai perdendo identidade, ela vai perdendo alguns valores e no final das contas, o que ela tinha de único, algumas vezes, se perde.



A Deva nasceu como uma marca Indie, completamente contra-corrente e foi vendida pra um grupo chamado Ares em 2017.

Mais recentemente (final de 2019) a marca foi vendida novamente, desta vez para outro grupo grande chamado Henkel, dono de outras marcas de renome como a Schwarzkopf, Bonacure e Igora.

Muitas pessoas atribuem os danos que sofreram às possíveis mudanças de fórmula ou fornecedores de insumos após a primeira venda da DevaCurl.

Disso podemos tirar a lição de que é praticamente inevitável que uma marca sofra alterações quando troca de mãos e isso pode resultar em mudanças nos produtos do portfólio da marca.


Lição 2: Conhece-te a ti mesma


Lições a serem aprendidas com a nova treta da deva EUA

Confesso que, quando vi as primeiras imagens dos cabelos cujos danos foram atribuídos aos produtos Deva, eu pensei "nossa, como a pessoa deixa chegar nesse ponto?".

Foi a partir disso que conversei com outras pessoas e nos demos conta de que muita gente não têm o costume de se observar, de prestar atenção no próprio corpo.

A segunda lição, com certeza seria essa: preste atenção nos sinais do seu corpo.

Se sua cabeça coça loucamente após usar um shampoo, observe se ao mudar de shampoo seu cabelo deixa de coçar.

Se seu couro cabeludo fica vermelho ao usar um tônico, por que você insiste em continuar usando esse produto? Mas, você só vai ver se seu couro cabeludo fica avermelhado se tirar 30 segundinhos pra olhar ele de perto no espelho.

Se seu cabelo está ficando ralo, se suas entradas estão ficando maiores, será que é um produto novo na sua rotina, ou será que outras coisas no seu corpo estão mudando também... se além do cabelo, suas unhas também estão frágeis, talvez seja alguma questão na sua dieta ou movimentos naturais que acompanham o amadurecimento e a menopausa.

Mas essas perguntas só surgem se você ficar de olhos nas pistas que seu corpo te manda todos os dias.



Lição 3: A Anvisa é um porre, mas por um bom motivo


Muitas pessoas falam da burocracia excessiva do órgão que regula a produção de cosméticos no Brasil: A Anvisa.

Entendemos que uma série de exigências parecem exageradas e definitivamente a forma como a entidade trata produtores de cosméticos artesanais nos parece injusta.

Mas quando vemos as situações que ocorrem nos Estados Unidos (onde a regulação da FDA e nada é praticamente a mesma coisa), entendemos que estamos sendo protegidos - de certa forma - através dos excessos da Anvisa.

Para se ter ideia de alguns dos últimos escândalos nos Estados Unidos envolvendo cosméticos temos uma marca de produtos para cabelos cacheados que tem deformado cachos , uma marca de batons de uma grande influencer contaminada com pedaços de metal e outros sólidos e maquiagem infantil com amianto.

Anvisa, você é chatinha - mas às vezes a gente entende o porquê.


Lição 4: Não insista no que não funciona


Eu comprei, agora eu vou usar!

Já disse essa frase tantas vezes e é lógico que é importante dar segundas chances quando a gente investe em um produto. Mas, às vezes, acredite... Não tem jeito.

Se você já testou mais de uma vez e o produto não é adequado para o seu tipo de pele, ou o seu cabelo fica estranho, então... pra que insistir? E esse raciocínio não se limita a produtos não, viu?

A gente fala sempre que todo mundo pode fazer Low Poo contando com o bom senso de quem nos acompanha, contando com um mínimo de juízo crítico de descontinuar o uso de produtos que estão causando reações adversas.

Low Poo, No Poo, Cronograma Capilar, co wash e outras técnicas de cuidados são estratégias estéticas e não uma forma mais saudável e mais limpa de cuidar do cabelo como muitas pessoas insistem em dizer.

Questões estéticas não deveriam ser postas à frente da sua saúde, ponto! Essa é a quarta lição.


Mas e a treta da Deva? Como ficou?


A questão dos resultados indesejados com os produtos da Deva americana não foi resolvida até hoje.

Algumas pessoas especulam que se trata de uma questão de pH inadequado, mas em tese a acidez dos produtos está dentro do padrão da indústria.

Outras pessoas levantam a possibilidade de ser uma reação alérgica de parte das consumidoras à determinados ingredientes ou ao mentol, presente em alguns produtos.

Outra teoria é a de que seriam necessárias lavagens eventuais com shampoos (sejam eles Low Poo, tradicionais, antirresíduos ou quelantes) já que, em muitos dos casos, a lavagem era feita apenas com co wash, o que poderia levar a um sobreacúmulo de resíduos de sais quaternários de amônia no cabelos - o que faz bastante sentido.



Parêntesis aqui: lavar o cabelo com shampoo com certa periodicidade ou quando notar o cabelo "estranho" é uma prática que incentivamos sempre por aqui, não brinque com a saúde do seu couro cabeludo.

As mudanças de fórmula ou mudanças de fornecedores de insumos são um quarto motivo que muitas pessoas apontam como outra possibilidade. Essa tese se apoia no fato dos efeitos adversos aparecerem apenas depois da aquisição da Deva USA por outra marca.

Como sempre existem teorias conspiratórias que fazem pouco ou nenhum sentido do ponto de vista químico e essas - por motivos óbvios - vamos deixar de fora.

Você já teve alguma experiência adversa com algum produto? Como descobriu do que se tratava? Conte pra gente aqui nos comentários a sua história!