terça-feira, 28 de julho de 2020

Máscara Firme é melhor que Máscara Molenga?

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Creme de Pentear Grosso - Texturas de produtos e Agentes Reológicos

Máscara, Condicionador e Creme para Pentear: você prefere textura firme ou rala?




"Olha só, dá para virar o pote... não cai!"

Essa frase já virou uma frase quase-padrão em resenhas de produtos para o cabelo, não é verdade?

A textura de um produto, em especial cremes de tratamento e cremes para pentear, virou um ponto que muitas pessoas observam na hora de comprar produtos para o cabelo.

Mas será que uma máscara maios firme é necessariamente melhor que um produto mais ralinho?


Emulsões: Por que o creme é cremoso?




Produtos em creme (condicionadores, co wash, máscaras...) costumam associar ingredientes oleosos e aquosos.

Água e óleo, como se sabe, são ingredientes que não se misturam em situação normal.

Mas, com a ajudinha de substâncias chamadas emulsificantes, é possível fazer com que óleos e água se misturem e forme emulsões.

Uma das características das emulsões (essa mistura homogênea de água e óleo) é que ela costuma ter uma textura mais cremosa do que a água.

Talvez por esse motivo, alguma pessoas associam produtos com texturas mais firmes com produtos melhores, ou mais ricos em óleos, mas isso não é bem assim.


Agente Reológico: Que palavrão é esse?


Muitas vezes, a emulsão resultante da mistura da água, dos óleos, dos emulsificantes e dos demais ingredientes de um creme para cabelo não resulta na textura final que o formulador gostaria.

Às vezes a mistura fica muito aguada, ou gosmenta... enfim, a aparência final do produto não é a que se esperava.

A fórmula não precisa ser repensada do zero, podemos mudar a textura do produto com a ajuda de ingredientes que agem especificamente nessa função: os agentes reológicos.

Essas substâncias não costumam ter funções cosméticas para os fios, ou seja, não alteram a eficácia do produto. Elas mudam apenas a textura, alteram somente a viscosidade do produto.

Os espessantes são, provavelmente, a classe mais conhecida de agentes reológicos.


Sua máscara firme nem sempre é melhor, ela pode ter sido formulada para ser mais grossa, e nada mais!


Grandes empresas de cosméticos investem bastante dinheiro em pesquisas.

Essa indústria está sempre preocupada em entender o que suas clientes querem e de que forma podem oferecer essa experiência.

O uso de agentes reológicos, de ingredientes que modificam a textura de produtos, já foi (e ainda é) bastante utilizado como forma de entregar texturas que atendam a determinadas tendências.

É o caso, por exemplo de máscaras com efeito teia. Uma tendência altamente dependente de agentes reológicos. A textura era o principal chamariz de marketing destes produtos.



São tendências... máscara de efeito teia, máscara em gel, shampoo slime, condicionador em espuma, máscara líquida, creme de pentear em pasta...

Algumas dessas tendências se consolidam, mas outras passam: como se nunca tivessem existido, ninguém mais lembra delas.

É inegável que hoje existe uma presunção de que produtos mais fluídos são mais fracos que produtos com textura firme.

Mas - como já foi possível perceber com o material desse texto - a textura pode ser modificada sem melhorar ou piorar o efeito de um produto.


Mas a textura do meu creme para pentear tem a ver só com tendências e marketing?


Texturas diferentes podem estar à serviço de tornar um produto mais funcional, vamos citar alguns exemplos.

Cremes para pentear de potão, por exemplo, são mais fáceis de manusear quando têm uma textura mais firme, não é verdade? Fica mais fácil tirar do pote uma pasta mais grossa do que um creme molenga.

Outro exemplo de produto em que a textura é importante é no ramo das tinturas.

A mistura final precisa ser molinha o suficiente para ser fácil de espalhar rápido no cabelo seco, mas depois de aplicada, a tintura não pode ficar escorrendo, senão acaba manchando a pele, a roupa, o chão, e os móveis; porque não para de pingar.



Co wash e shampoo, por outro lado, podem se beneficiar de uma formulação mais gosmenta.

Dessa forma o produto não escorre entre os dedos (como uma fórmula líquida faria), mas também não é grossa a ponto de ficar difícil de espalhar no couro cabeludo.

O sal de cozinha - por exemplo - é usado em alguns shampoos justamente para deixar a fórmula menos aguada e com essa textura mais viscosa.


A mudança de textura não mudaria a minha forma de me relacionar com um produto. Será?




Um último ponto importante da nossa relação com texturas de produtos tem a ver com como a gente reage diante de certas texturas, o aspecto sensorial aplicado à experiência com o produto.

Recentemente, falando de um shampoo infantil com textura slime - bem gosmento mesmo - lembro de Tamires Maia e Mille (do Diário de Mille) falando do quanto essa textura despertava sentimentos contraditórios: ao mesmo tempo se tem curiosidade de tocar aquela gelecanojinho da textura viscosa que o produto tem.

Não é à toa que o mercado de produtos de luxo costuma investir bastante no desenvolvimento de certas texturas.


É só prestar atenção na forma como produtos caros costumam ser descritos. Usam-se expressões como: textura leve e aveludada, textura encorpada e rica, textura sensual e acetinada...

A textura - mesmo que você nunca tenha prestado atenção - altera a nossa percepção de valor de um produto, mas não altera - necessariamente - a sua performance.

Mas olhe para a textura do ponto de vista dos benefícios sensoriais e funcionais que ela pode oferecer, porque (infelizmente) não dá para saber se um produto é bom apenas pela avaliação da textura.

Quem vê cara, não vê coração e quem vê textura, não vê composição.

Você já comprou um produto por causa da textura dele? Conta pra gente aqui nos comentários que produto foi esse e o motivo da textura dele ter chamado a sua atenção.